|
|
O ‘trem’ das Gerais
O Brasil é conhecido por sua riqueza e diversidade cultural. Possui a quinta maior extensão territorial do mundo, com uma área de 8.514.876,599 km². Essa imensidão caracteriza as diversas culturas existentes no país. Em cada parte, de Roraima ao Rio Grande do Sul, peculiaridades são encontradas.
Minas Gerais, por exemplo, é o segundo Estado mais populoso do Brasil, com mais de 19 milhões de habitantes. Famosa por seu folclore e sua arte, possui na linguagem a referência de sua população.
Foi pensando nessa singularidade das Gerais e no ‘jeitinho’ de falar dos mineiros que João Victor F. Velloso, um apaixonado pelas letras, criou o “Pipocas” - um dicionário com os verbetes mais utilizados no Estado -, para quem gosta de boa leitura e informação, regradas a bom humor e irreverência. “Senti a necessidade de fazer um registro da oralidade, no nosso caso, regional e ‘geraisana’, da forma como as ‘gentes’ conversam, para retirar daí as pérolas, as pedras preciosas na forma de verbetes e expressões, contos, ‘causos’ e histórias - engraçadas ou doloridas-, que fazem parte das memórias das pessoas”, contou o autor sobre a idéia do dicionário.
O dicionário começou a ser escrito em 2007. Ao longo de onze meses, João Victor realizou uma pesquisa minuciosa, coletando informações e descobrindo as muitas culturas dentro das Gerais. “Comecei a escrever ligado na internet, nas anotações de meu pai e nas minhas, que havia feito ao longo dos anos, das coisas engraçadas que lia e ouvia, sem entender direito que ali estava um dicionário, em incipiências”, observa. Ele ainda acrescenta que a inspiração para o projeto veio do jeito alegre e peculiar do mineiro falar, caracterizada por diminutivos e redução de palavras. “É muito divertido ouvir os mineiros conversando. Há casos que são muito engraçados, mas que ficam hilariantes, ‘divéra’, quando a gente nota o ‘trombamento’ das palavras, a quantidade de ‘engasguinhos’ e superposições que fazemos”, destaca.
São mais de 3 mil verbetes ao longo das mais de 500 páginas do dicionário. Dentre os mais aplicados em Minas Gerais, o autor aponta os destaques e aqueles que ele mais utiliza, como bom mineiro que é: “Em cada lugar se usa uma determinada expressão, mas talvez o verbete mais utilizado seja o ‘uai’. É uma característica mineira. Mas há vários outros, dependendo de onde a gente se encontra. Há alguns engraçadíssimos... Uso muito a tal da ‘quitremdãnádd di bão, sô!’.
O dicionário é patrocinado pela empresa mineira AUGE Tecnologia & Sistemas. Para João Victor, a área de atuação da empresa foi o diferencial para a conquista do apoio. Ele acredita que o dicionário pode ser utilizado por educadores no processo de ensino aprendizagem, contribuindo para melhorias na educação, como faz a AUGE. “Os registros fonéticos e linguísticos, como são lidos no ‘Pipocas’, retratam a estrutura viva da língua portuguesa. E talvez seja um caminho a ser trilhado por educadores criativos para que se possa conhecer a maneira de falar de determinados grupos humanos e propiciar a comparação com a língua culta, reaproximando grupos de falantes dessas linguagens diversas, tal como ocorre em sua dinâmica cotidiana; dinâmica essa esquecida e excluída dos meios acadêmicos e das bibliotecas”.
Irreverente no nome e no estilo, o “Pipocas” contêm diálogos e personagens que formam uma história, ou até mesmo um romance, como gosta de ressaltar João Victor. “Meu dicionário é diferente de tudo o que há. É um romance! Você vai ter que ler o ‘danadim’ de A a ‘Zê’, pois o leitor é convidado a participar do livro, tornando-se um personagem”. Sobre a escolha do título ele responde rápido, enfático: “O título é coisa de louco, que somos! ‘Pipocas’ é por conta da ‘parecência’ do verbete com uma pipoca. Vá ao livro ‘pcêvê’ se não é um monte de ‘pipoquinhas’?”, conclui.
Para saber mais e conhecer esse ‘trem bão’, o “Pipocas” será lançado no próximo dia 17/06, à
Autor: Isabel Ferreira
 |
|
|